
A internet está entrando em uma nova fase. Depois da web estática, da web dinâmica e da web social, estamos caminhando para a Web Agentic — uma internet preparada para que agentes de Inteligência Artificial executem tarefas de forma autônoma.
Nesse cenário surge o WebMCP (Web Model Context Protocol), uma proposta inovadora que promete transformar a forma como sites interagem com sistemas de IA.
Mas afinal, o que muda na prática?
O Problema Atual: IA Tentando “Entender” a Página
Hoje, quando um agente de IA precisa interagir com um site, ele geralmente:
- Lê todo o HTML
- Tenta identificar botões e campos
- Simula cliques
- Preenche formulários como se fosse um humano
Esse modelo é frágil, caro e pouco eficiente. Pequenas mudanças no layout podem quebrar toda a automação.
O WebMCP muda essa lógica.
O Que é o WebMCP?
O WebMCP permite que sites exponham ações estruturadas para IA.
Em vez de a inteligência artificial tentar “adivinhar” o que fazer, o próprio site informa:
- Quais ações estão disponíveis
- Quais dados são necessários
- Qual será o retorno da operação
O site passa a oferecer ferramentas (tools) que podem ser chamadas diretamente por agentes.
Isso torna a interação:
- Determinística
- Mais rápida
- Mais segura
- Muito mais econômica em tokens
Imperativo vs Declarativo no WebMCP
Uma das características mais interessantes do WebMCP é permitir duas formas de implementação: Imperativa e Declarativa.
Vamos entender cada uma com exemplos simples.
🔹 Modelo Imperativo — “Diga como fazer”
No modelo imperativo, o desenvolvedor define via JavaScript exatamente como a ferramenta funciona.
Ele controla o fluxo da execução.
📌 Exemplo Simplificado
navigator.modelContext.registerTool({
name: "buscarProduto",
description: "Busca um produto pelo nome",
parameters: {
nome: "string"
},
execute: async ({ nome }) => {
return await buscarNoBancoDeDados(nome);
}
});
Nesse caso:
- O desenvolvedor registra a ferramenta manualmente.
- Define o nome.
- Define os parâmetros.
- Define exatamente qual função será executada.
Aqui estamos dizendo como fazer.
✔ Quando usar?
- Sistemas com regras complexas
- Integrações com APIs externas
- Plataformas SaaS
- Sistemas financeiros
- Aplicações com lógica avançada
O modelo imperativo oferece controle total.
🔹 Modelo Declarativo — “Diga o que é”
No modelo declarativo, você não escreve a lógica em JavaScript.
Você apenas declara no HTML que aquele elemento é uma ferramenta.
O navegador interpreta automaticamente.
📌 Exemplo Simplificado
<form
toolname="buscarProduto"
tooldescription="Busca um produto pelo nome"
>
<input
name="nome"
type="text"
required
/>
<button type="submit">
Buscar
</button>
</form>
Aqui não há JavaScript registrando manualmente a ferramenta.
Você apenas declarou:
- O nome da ferramenta (
toolname) - A descrição (
tooldescription) - Os campos que serão parâmetros
O sistema entende que esse formulário pode ser usado por um agente de IA.
Aqui estamos dizendo o que é, não como funciona internamente.
Comparação Prática
Imagine um site de e-commerce.
Sem WebMCP:
A IA precisa ler a página inteira, localizar o campo de busca, identificar o botão e clicar.
Com WebMCP Declarativo:
Ela chama diretamente:
buscarProduto({ nome: "Notebook" })
Com WebMCP Imperativo:
A chamada é a mesma, mas o desenvolvedor programou manualmente como a busca será executada e validada.
Por Que Isso é Tão Importante?
1️⃣ Interações Determinísticas
A IA não depende mais do layout visual da página.
Ela chama funções estruturadas.
2️⃣ Redução de Tokens
Não é necessário enviar todo o HTML da página para o modelo interpretar.
Isso reduz custos e melhora performance.
3️⃣ Mais Segurança
O site controla exatamente quais ações podem ser executadas por agentes.
4️⃣ Preparação para o Futuro
Estamos caminhando para um cenário onde agentes vão:
- Reservar viagens
- Preencher formulários
- Comparar preços
- Executar tarefas administrativas
- Automatizar processos empresariais
O WebMCP prepara a web para esse novo padrão.
Impacto para Desenvolvedores e Empresas
Para desenvolvedores:
- Sites deixam de ser apenas interfaces visuais
- Passam a ser interfaces programáticas para IA
Para empresas:
- Mais automação
- Menor custo operacional
- Integrações simplificadas
- Melhor experiência com agentes inteligentes
Assim como ser responsivo para mobile se tornou essencial, ser compatível com agentes de IA pode se tornar um novo requisito estratégico.
Conclusão
O WebMCP representa um passo importante na evolução da web. Ele transforma sites em plataformas preparadas para interagir com inteligência artificial de forma estruturada, eficiente e segura.
A diferença entre imperativo e declarativo mostra que essa tecnologia pode atender tanto sistemas complexos quanto sites simples — tornando a adoção flexível e acessível.
A web está deixando de ser apenas feita para humanos.
Ela está se tornando feita também para inteligências artificiais.
E o WebMCP pode ser um dos pilares dessa nova fase.



